Ena pá. Hoje e agora estou contente por não sei quê, não sei quem. Sinto uma presença aqui mesmo atrás de mim, a acariciar-me as costas com o seu bafo quente e nostálgico. Mais invisível que irreal, esta saudade transcrita em imaginação vívida e aconchegante, tanto que a sinto pairar no mesmo sobre que a minha aura.
A sensação física, tão intrínseca e, portanto, psicológica... Um completo baralho de emoções e de descartados desassossegos. Em prenúncia do sono, mas sem o banal da luz e cabeça apagadas. A parte boa de todas as partes do todo, espalhando-se quais bactérias de apego afagando o sangue sem difuso dos momentos, o aglomerado de uma manhã independente do sol que a noite esconde ainda, algures. Tão distante quanto a efemeridade disto tudo, tão futuramente imponente quanto a longevidade disto tudo.
Uma vaga pena do inevitável. Mas curta, para não interromper todo este evitar, de um raro dócil, tão raro quão absoluto, dissolvendo todos os antagonismos no fluxo viral desta doença sublime. O rancor adoeceu na noite fria.
E enquanto o corpo dá sinais de substancial, avizinho-me da próxima divisão, mais sonolenta e ilegível. Esvaio-me enquanto perdura algum fantástico, de mim para lá de mim, mas sempre em mim. Que bom, ser um mundo e a camada de ozono de um mundo enquanto dura. Que bom, ser vítima da Biologia de carne, osso, e supra-real. Que bom, um bom completamente desarticulado, não fora o retiro implícito, em amálgama solene e sumarenta, das geometrias. Deformo-me em bom e rebolo-me. Pontapeio piões sem tontura, embrião na cama. Volteio-me sonhador.
Não páro nem prossigo, enquanto o meu espanto reconhece que, aqui, valho a pena. Indescritível valho a pena. Apesar.. apesar... apesar de..... apesar de nada. Neste aqui sem apesar, valho a pena.